Le Mot, a marca de t-shirts que nasceu de uma corajosa decisão de vida

A marca é bem portuguesa, mas tudo começou em Paris. Susana Santos trabalhava em Paris há 6 anos, tendo passado pela Jean-Paul Gaultier e pela Nina Ricci, quando decidiu regressar a Portugal e abrandar o ritmo de vida. A decisão não foi fácil e foi preciso um ano para amadurecer a ideia de que iria abandonar uma carreira em ascensão na área da moda, que foi o que sempre quis, aos 30 anos. Do lado da balança portuguesa pesava a vida mais tranquila que era imperativa para construir a sua família.

«Eu, literalmente, voltei à estaca zero aos 30 anos (…) Não fechei uma porta arrependida. Abri um novo capítulo na minha vida e estou super satisfeita com esta decisão», garante Susana Santos ao Pano Cru. Veja a entrevista completa, em baixo.

Tomada a decisão e já de malas e bagagens em Portugal, tinha chegado a altura de dar corpo a uma ideia que teve em Paris. Uma confessa apaixonada por t-shirts, Susana conta que a ideia da Le Mot surgiu quando começaram a aparecer, por todo o lado, t-shirts com frases, mas não existiam frases em francês.

« Antes de lançar marca e de ter o nome registado. Fiz 100 t-shirts com duas frases: «crème de la crème» e « je ne sais quoi». E pensei vou fazer um site, criei um Instagram e experimentei. Correu muito bem, num mês esgotei as t-shirts todas. Percebi que havia ali qualquer coisa», conta a fundadora da Le Mot.

Pouco tempo depois do lançamento, Susana surpreendeu-se ao ver Leandra Medine usar as t-shirts que lhe tinha enviado. O impacto na marca foi imediato.

Tudo isto se passou em 2017, mas foi preciso mais de um ano para Susana Santos apostar todas as fichas nesta marca de t-shirts 100% portuguesa. «Ao fim de um ano e meio percebi que podia avançar. Estamos sempre a ajustar. É muito difícil dizer ‘ok, agora está tudo bem, a marca é rentável’, e encostar-me à sombra. O online é muito volátil. Em quatro anos, nunca tive uma ano igual ao outro», esclarece com os pés bem assentes na terra.

Uma das conquistas mais recentes da marca foi a presença na pop up store Local Goes Global, em Paris, promovida pela ANJE e organizada pela Kind Purposes (veja a entrevista aqui). Uma iniciativa que Susana espera que se repita e que continue a apostar nas marcas nacionais. «Eu sinto que este género de iniciativas estavam muito viradas para os designers, e para a moda de autor e criadores. Existe um bocadinho esta ideia, ou pelo menos é o que eu sinto, de que a moda de autor é uma coisa muito criativa e que as marcas são feitas de pessoas que tinham algum dinheiro de lado e investiram. E, por isso, eles que continuem no caminho deles. Essa mentalidade já está a mudar um bocadinho. O online ajuda, porque nivela todos, todos estamos online, e essa abordagem é importante».

A internacionalização é fundamental para o crescimento de qualquer marca, e a Le Mot desde o início que tem clientes espalhados pelo mundo. Mas a pandemia veio mudar um pouco a realidade da marca.

«Neste momento temos 60% de mercado nacional, e 40% internacional. Antes da pandemia era o contrário, é muito curioso. Nunca esperei. A marca não era muito conhecida cá, talvez por ter um price point difícil de compreender para os portugueses, porque é um produto básico. Acho que é mais fácil para um português dar um determinado valor por um vestido, ou por uma peça sofisticada, do que por um básico. Isso impedia-nos de chegar aos portugueses. No primeiro confinamento acho que houve uma onda de amor e de apoio, compreensão e entreajuda entre as pessoas. Ganhamos muitos clientes portugueses, que se tem mantido fieis. As pessoas queriam ajudar, queriam que as marcas não desparecessem», revela.

Veja a entrevista completa em cima.

Fotografias DR

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