Manjerica, as carteiras inspiradas nos Açores

Carteiras com cores fortes, em combinações inesperadas, formas surpreendentes e fivelas de aspeto vintage, fazem o ADN da Manjerica. Em 2012, Teresa Bettencourt lançou esta marca portuguesa que já arrebatou muitas clientes internacionais.

Foi depois de um estágio com Alexandra Moura, que Teresa Bettencourt percebeu que seu caminho na Moda se faria através dos acessórios. A capacidade que estes elementos têm de alterar completamente um look e fazer transparecer a personalidade de quem os usa foi o que apaixonou a designer de moda.

Carteiras Açorianas

As paisagens dos Açores, onde cresceu e viveu até aos 17 anos, são uma das maiores inspirações da marca. É das cores fortes e das formas orgânicas da ilha, que surgem as linhas inovadoras, e tons intensos da Manjerica. «Quando começámos, eu exagerava um bocadinho (nas cores das carteiras) agora acho que já estou mais soft nesse aspeto. Quando fomos à fábrica, logo no início da marca, eu queria pôr seis peles diferentes numa carteira. e o senhor só me dizia: ‘a menina devia era fazer malas pretas e malas castanhas’. Mas eu queria era colocar cor, queria que as pessoas entendessem de onde é que eu venho, quais são as minhas raízes, de onde vem essa intensidade», conta a fundadora da Manjerica ao Pano Cru.

Deste início para os dias de hoje, muita coisa mudou. Começou pelas cores que hoje apesar de irreverentes são bastante mais resfriadas, mas é na estratégia e comunicação que se instalam as maiores diferenças. «No início não tínhamos muita noção do que era branding e comunicação. Com o advento das redes sociais acabou por mudar tudo. Com as redes sociais conseguimos abranger muito mais pessoas», explica Teresa Bettencourt.

Tempos de pandemia

2020 foi um ano desafiante para todos, e esta marca nacional não foi exceção. «Sentimos um decréscimo nas nossas vendas, porque vendemos um tipo de produto que as pessoas usam fora de casa. A não ser que fosse um presente ou algo do género, tivemos um decréscimo na procura dos nossos produtos», no entanto o rombo não foi significativo e o facto de serem uma marca pequena permitiu uma adaptação rápida. Uma das primeiras coisas que fizeram foi a revisão do plano de comunicação, redistribuindo a publicidade apenas para os mercados que começavam a abrandar as restrições de circulação.

Apesar da dificuldade, Teresa garante que não pensou em lançar outro tipo de produtos, até porque com as fábricas fechadas seria muito difícil avançar com um projeto desse género. No entanto, alargar a tipologia de acessórios Manjerica, está nos planos a médio prazo da marca.

Para já o foco são as carteiras, mas existirá algum modelo especial? «O modelo Amália é muito especial para mim porque é inspirado na minha mãe. E o último modelo que lançamos, que é o Lídia, que tem a alça suspensa, também me deixou muito contente. Tem um aspeto minimalista, muito simples, dá para brincar com cores na base da mala e com a alça, que para mim foi a cereja no topo do bolo. Demoramos algum tempo a moldar a alça com aquelas características específicas. Esta alça é moldada à mão, não ficam todas exatamente iguais porque é um trabalho mesmo manual», revela.

Veja a entrevista completa no vídeo, em cima.

Fotografias DR

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