Loewe abre loja em Lisboa elevando a roupa a arte

Uma porta com um pé direito antigo e desenho de arco deixa antever a coluna azul que se faz de azulejos Viúva Lamego, de cada lado duas montras suas gémeas, preenchidas por gigantes flores de papel. É esta a imagem de quem olha da rua para a nova Casa Loewe na Avenida da Liberdade.

Podia dizer muito sobre a abertura da Loewe em Lisboa, dizer muito sobre a marca, a sua estratégia e até da roupa que estará disponível na capital lisboeta, mas é da loja que quero falar, da arte que por lá habita e dos esfregões de aço que se transformaram em instalações. Sei que, provavelmente, não era isto que esperavam nesta newsletter, mas talvez por influência dos projetos de decoração em que tenho trabalhado, ou porque fui recebida na Casa Loewe com uma visita guiada sobre as obras de arte que a loja encerra, certo é que é disso que vou falar.

Passada a porta de pé direito antigo, de que falei no princípio do texto, encontramos uma escadaria de extremidades encaracoladas. Subidas as escadas começamos a ver mobiliário, que se vai espalhando no espaço, como se a loja fosse, na verdade, uma sala de 400m2. A ideia desta loja é transportar o cliente para uma casa, uma casa de colecionador, onde vivem não só objetos de design contemporâneo, mas também são elevados a arte elementos do dia a dia. Para que tal aconteça a Loewe conta com cubos de vidro espalhados pelo chão, todos eles recheados de objetos corriqueiros. Lâmpadas e esfregões de aço tornam-se em elementos visuais interessantes quando aglomerados num cubo transparente, aprendi com Jonathan Anderson, diretor criativo da Loewe e responsável pelo conceito da loja. São também de destacar, e mantendo a temática dos cubos, as conchas alicerçadas em blocos de cimento.

No entanto, esta é uma loja que não se faz só de arte caseira, o espaço está recheado de obras de arte, que podiam estar em qualquer museu. Uma das primeira a saltar à vista é uma escultura em acrílico sobre papel-mâché da artista brasileira Erika Verzutti, Forest (2019). A esta juntam-se duas obras dos finalistas do LOEWE FOUNDATION Craft Prize 2019: uma peça da série de escultura Dichotomy (2019), do artista britânico Harry Morgan (que é a minha prefira entre as que estão na loja) e Collection of Contained Boxes (2018), uma composição de três peças da artista britânica Andrea Walsh. Uma impressionante peça de cerâmica do artista japonês Takuro Kawata, e uma série de vasos feitos de carvalho esculpidos por Jim Partridge e Liz Walmsley, entre outras, também se junta ao role de arte da Casa Loewe.

Obras de arte que convivem com a linha de pronto-a-vestir, marroquinaria, joalharia, acessórios e beleza, num espaço que forma um L e tem um jardim de 75m2 nas traseiras. Mais do que uma loja ou uma casa, este espaço promove uma experiência de compra diferente, como se estivéssemos num museu onde a roupa se torna uma espécie de arte tangível.

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